Tabelas de Carga

"OPERANDO NA ZONA SOMBREADA DAS TABELAS DE CARGA DO  GUINDASTE.”

As Tabelas de Carga para um guindaste móvel dita os parâmetros operacionais que são críticos para o uso seguro do equipamento. Porquanto algumas Tabelas são muito complexas. A maioria dos usuários de guindastes entende que uma Tabela de Carga divide as capacidades tabeladas para um guindaste em duas categorias gerais: Aquelas limitadas pela estabilidade e aquelas limitadas por fatores estruturais. 

Além desse ponto porém, um número assustador de usuários lê perigosas informações erradas nas Tabelas de Carga.

Quantas vezes você já ouviu histórias como essa?  Nós tínhamos uma peça pesada para levantar. O peso  estava acima da Tabela, mas nós estávamos “na bucha, no limite”, então ele sabia que o guindaste ficaria “leve” antes que algo quebrasse.

Soa familiar? Você acredita que é verdade? Certamente não é !

Contando só com o limite da estabilidade para sinalizar um problema, um operador pode sobrecarregar os componentes estruturais de um guindaste com uma tremenda carga. Em, aproximadamente, 40 anos lidando com Guindastes e equipamentos, eu já ouvi a “lógica” acima muitas vezes para acreditar que isso constitui um mal entendido isolado.

Pareceria, basicamente, que muitos usuários são culpados do pecado de tentar adivinhar o Fabricante do Guindaste. A OSHA (Administração da Saúde e Segurança Ocupacional) requer que uma Tabela de Carga indique quando algo – que não a pontinha – limite a capacidade do guindaste.

Essa é só uma maneira elegante de dizer “Nós devemos fazer com que o operador saiba, caso ele esteja perto de um limite estrutural do guindaste”. Em seus regulamentos, eles também declaram: “ Quando são manuseadas cargas que são limitadas pela capacidade estrutural em vez da estabilidade, deve ser acertado que o peso permitido da carga foi determinado dentro de 10% abaixo da carga a ser levantada.

Isso é claro o suficiente. E a maioria dos operadores  concorda – você não brinca com Limitações Estruturais.

Porém, a Tabela de  Carga não nos diz que é seguro inclinar o guindaste sem exceder o limite estrutural. Só indica que até uma certa porcentagem da inclinação  nenhuma limitação estrutural é excedida.

Se nós submetermos o guindaste além dos limites estabelecidos pelo Fabricante – mesmo numa área limitada pela estabilidade – nós não temos idéia de quais componentes estruturais podem estar sobrecarregados antes do guindaste verdadeiramente inclinar. Uma Tabela de Carga pode mostrar um índice de 5.100 libras limitadas pela estabilidade.

De fato, a resistência de uma lança pode limitar a capacidade a 5.100 libras. Com os regulamentos  federais atuais para um guindaste de esteiras seriam necessárias 6.800 libras para inclinar esse guindaste.

Se o operador levantar “até que ela fique leve”, a lança estará sendo sobrecarregada de 1.700 libras, ou seja, de 33%. Uma Tabela de Carga não nos diz quais são os limites violados quando o guindaste é levado a inclinar!    

Uma simples história ajuda a ilustrar esse problema. Imagine que você e eu acabamos de construir um guindaste. Nós coçamos muito a cabeça e ficamos zarolhas de tanto trabalhar numa tela de computador para determinar exatamente quão forte é o nosso guindaste e quanto ele é capaz de levantar. É um guindaste montado sobre esteiras e os regulamentos da OSHA nos dizem que nós só podemos classificar o guindaste a 75% da carga a qual produz inclinação.    

Nós fazemos alguns cálculos para desenvolver uma Tabela de Carga. Nós também  fazemos alguns testes para verificar a Tabela. Com certeza o computador estava certo. Ao levantar 100.000 librasa 20 pésde raio, nosso guindaste começa a inclinar.  Uma matemática simples rapidamente nos diz que se o nosso guindaste inclina com 100.000 libras, nossa classificação para o guindaste (lembre-se de que é de Carga) não pode ser mais do que 75% x100.000 libras ou 75.000 libras – se a inclinação for o fator limitador.

Nós cavamos pilhas de impressos de computador que previam estresses no nosso guindaste e vimos que só dois componentes estão perto dos seus limites de força para o comprimento dessa lançaem particular. Nossalança pode suportar76.000 librasa um raio de20 pés. A força da corda (longarina) limita a capacidade para85.000 libras.

Nossa capacidade de inclinação de 75.000 libras é, portanto, o mais baixo de todos os fatores. Nós publicamos 75.000 libras a um raio de 20 pés na nossa Tabela de Carga e  nós marcamos com asterisco o índice porque é um limite de estabilidade – não de estrutura.

Nós vendemos nosso primeiro guindaste. Poucas semanas depois nós estamos num local de trabalho assistindo orgulhosamente nossa “criança” trabalhar. O moitão engancha numa viga de uma ponte para descarregá-la de um caminhão. Pintado no lado da viga está o peso: 97.000 libras.

Nós pegamos nossa confiável fita métrica e checamos o raio: 20 pés. Nós pensamos na nossa Tabela de Carga 75.000 librasa 20 pés. Certamente o operador vai tentar chegar mais perto antes de levantar. Mas não.

O motor ronca e o guindaste começa a inclinar. Nós corremos gritando, em direção ao operador. “Ele vai destruir o nosso novo guindaste”. 

Parecendo um pouco ofendido, o operador calmamente nos explica que sim, ele sabe que a carga está além da Tabela. Ele, com satisfação, aponta que está trabalhando no limite da inclinação da Tabela de Carga, então, logicamente, é seguro sobrecarregar o guindaste “até ele ficar leve”. Ele nos assegura que o guindaste irá inclinar antes que algo quebre.

Como ele pode estar errado!     

Nós começamos a pensar:  eu projetei esse guindaste. A lança só suporta 76.000 librase a corda 85.000 libras”. Ambos estarão sobrecarregados se ele tentar pegar uma viga de 97.000 a 20 pés, contando com a sensação de inclinação para o parar.

A chave aqui é que o índice que ele vê na Tabela não é uma carga de inclinação – é apenas uma certa porcentagem da carga de inclinação (nesse caso 75%) conforme a lei.

Existe uma área nebulosa entre a capacidade listada na Tabela e a carga que realmente vai inclinar o guindaste. Muitos limites estruturais existem nessa área.

Se ele confiar num senso de inclinação para adverti-lo de um problema, ele pode estar “frito”. Ele irá sobrecarregar os componentes estruturais do guindaste.

Quando você confia na sua intuição para lhe advertir da inclinação, só o bom Senhor e o projetista sabem o que está sendo danificado.   

Alguns vão argumentar que existe uma margem de segurança na lança e em outros componentes estruturais que deveriam nos proteger.

Sim, tem uma margem. Porém essa margem não pertence ao usuário. 

Ela está lá para proteger contra problemas imprevisíveis, além do controle do usuário:  variações de material, vento, solo fofo, etc... Se essa margem é usurpada no início, não sobra nada para prevenir a catástrofe quando as autoridades locais e a seguradora tratarem deste assunto.

Um guindaste pode até não quebrar quando submetido a uma sobrecarga, mas, sem errar, sobrecarga danifica. Gerentes de projeto consideram o operador um “herói”   quando ele faz um levantamento além da Tabela. Seis meses depois quando a lança ruir com uma carga leve, ninguém imagina o porque.  

Pense nisso: Alguém ajudou  a causar esse acidente, operando o guindaste  fora  de capacidade  no passado.

A OSHA determina: “Nenhum guindaste deve ser utilizado além da sua carga tabelada”,  mas muitos usuários acham que “sabem muito” e são tentados a forçar o limite.

Da próxima vez que você for tentado a fazer isso ou mesmo pedir que alguém o faça, lembre-se da nossa historinha.   Quando você parece estar numa margem de estabilidade da Tabela, uma limitação estrutural pode estar apenas a poucos quilos daí.

E você não sabe.

PENSE BEM !